Balaio de Ideias: Zum zum zum, Capoeira mata um. E preserva a vida de muitos!

Símbolo de resistência e da força do povo negro, a capoeira foi e é responsável pela sobrevivência de milhares de homens e mulheres que ousaram, em uma época não tão distante, desafiar as leis e continuar seguindo em frente com os movimentos corporais que são definidos como uma mistura de dança e luta.

Por Maíra Azevedo*

[Maíra Azevedo salienta a simbologia da capoeira. (Foto: Acervo pessoal)]

Maíra Azevedo salienta a simbologia da capoeira. Foto: Acervo pessoal

E foi gingando que derrubaram muitas estatísticas perversas. Até 1943, a prática da capoeira era proibida no Brasil, considerada violenta e subversiva. Qualquer um que estivesse em situação suspeita, poderia ser preso. A “alforria”, chegou quando Mestre Bimba se encontrou com, o então presidente, Getúlio Vargas. Ao fim da apresentação, o presidente estava convecido. A capoeira era o esporte brasileiro.

Mas a capoeira é mais do que um esporte. É a tradução livre, por meio do corpo, de sentimentos de um povo que ficou marcado por suas dores e anseios. É um golpe profundo naqueles que insistem em nos deixar acorrentados. É uma das facetas da identidade dos milhares de africanos que foram trazidos como mercadoria para o novo continente.E resistiram, tiveram a luta ou dança como arma para sobreviver. Disseram não com as pernas e mãos. Não vamos permitir que nos coisifiquem, estamos lutando e vamos conseguir. A capoeira diz isso. É rasteira nos opressores.

A capoeira se consagrou. Não se pode pensar no Brasil, na Bahia e não imaginar aquelas acrobacias feitas em grupo. São pernas no ar, mas sempre acompanhadas. Não se joga capoeira sozinho, precisamos do outro. Por isso, é uma grande lição. Não são apenas golpes ao vento, mas uma série de movimentos que atesta que organizados vamos mais longe. A luta que era crime, se transformou em esporte nacional e é responsável pela sobrevivência de muitos, não só por defender o seu corpo contra algum golpe, mas por preservar a sua história.

Iê, viva meu Deus, camará , Iê, viva meu mestre, camará, Iê, quem me ensinou, camará Iê, a Capoeira que me PRESERVOU camará. Essa também é ladainha.

Salve capoeira!

*Maíra Azevedo, coordenadora de comunicação da Unegro, yaô do Ilê Axé Oxumarê e, capoerista do Grupo Gingando Sempre

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